Ação do Ministério Público pode fechar ONG com 120 animais em Campo Grande; protetores alegam "assédio judicial".

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ANIMAIS

Raffael Guerra

7/5/20262 min read

O Instituto Guarda Animal, uma das ONGs mais conhecidas no resgate e proteção de animais abandonados em Campo Grande, anunciou o risco iminente de encerrar suas atividades. A organização, que atualmente acolhe 120 cães e gatos recolhidos em situações de risco ou maus-tratos, virou alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Uma audiência de conciliação agendada para o próximo dia 15 de julho decidirá o futuro do abrigo.

A fundadora do instituto, Nathália Sousa, desabafou nas redes sociais afirmando que este é o momento mais difícil da história da ONG, criada em 2018. Caso a Justiça atenda aos pedidos do MPMS, a administração do local será afastada e o controle de contas bancárias e perfis de divulgação será bloqueado. A maior preocupação dos protetores recai sobre os animais positivos para leishmaniose, que precisam de adoção urgente; caso contrário, os responsáveis temem que eles sejam encaminhados para eutanásia no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

A defesa técnica do instituto, conduzida pelo advogado Eduardo Pracz, contesta as acusações do órgão ministerial e classifica o processo como uma espécie de "assédio judicial". O advogado relembrou que, em 2024, as fundadoras chegaram a ser presas sob a alegação de manterem o local em condições insalubres. Pracz argumenta que a promotoria desconsidera a natureza do projeto, que recolhe animais já debilitados, mutilados e doentes em clínicas particulares sem nenhuma verba pública da prefeitura ou do Estado, dependendo exclusivamente de doações.

O posicionamento do MPMS Procurado, o Ministério Público informou que a ação civil pública (nº 0908341-69.2026.8.12.0001) foi baseada em laudos técnicos da Vigilância Sanitária e relatórios policiais que apontaram a necessidade de adequações urgentes na estrutura do abrigo. O órgão reforçou que o objetivo central não é fechar o local por deliberação, mas sim resguardar a integridade dos animais e a saúde pública coletiva. O MPMS destacou ainda que, caso as atividades sejam encerradas pela Justiça, o pedido inicial exige que o Município de Campo Grande assuma integralmente a guarda e a destinação adequada de todos os animais abrigados.